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quinta-feira, 14 de março de 2019

Quando a bola chora de saudades

ESPN
Para quem assiste o futebol de hoje e se encanta com as atuações e feitos de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, tem a chance de saber muito pouco do que essa arte realmente representou na década de 60.

O Brasil, o torcedor santista, se deleitava com um esquadrão de craques, com um ataque formado por Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

Ao todo o ataque dos sonhos, esteve em campo em 99 jogos juntos, entre 1960 e 1966, com 2092 gols registrados, o que equivale, até o dia de hoje, a algo próximo dos 20% dos gols do time da Vila mais famosa do mundo, em toda história.

Mengálvio era mais tranquilo, um ponto de referência; Dorval, o mais experiente, que acalmava a equipe que contava com garotos, como Pelé e Coutinho, com 16 e 14 anos.

Pepe, que era um dos mais velhos, era o dono de um dos chutes mais potentes e o líder na artilharia do Santos, com 405 gols, porque Pelé, com pouco mais de 1.100 gols, é tratado como um "extraterrestre".

As tabelinhas entre Pelé e Coutinho, não é fruto de treino, mas de prática em jogo, com a bola em campo, sem tempo para maiores combinações, a não ser na pensão em que moravam.

Naquele tempo, não haviam as cifras vultuosas que existem hoje. Os jogadores eram pagos com o valor do bicho, pela vitória, que era o resultado do arrecadado nas bilheterias.

Eles percorreram, juntos, 17 países e serviram a Seleção Brasileira. Pararam uma guerra e não tinha quem os desafiassem nas quatro linhas.

A inteligência e o diálogo eram os pontos fortes.

Nesta semana, Coutinho, que era constantemente confundido com Pelé, nos deixou.

Ficou um vácuo no ataque dos Sonhos do Santos e da Seleção Brasileira.

Que ele descanse em paz e continue a demonstrar sua genialidade, em meio às estrelas.

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