domingo, 25 de fevereiro de 2018

Juca Kfouri na terra que cheira café com leite


A palestra de Juca Kfouri no Auditório da Cemig, em Belo Horizonte, com a organização do Projeto Sempre um Papo, nesta terça-feira, foi como o esperado: um espetáculo!

Bem humorado, sem saudosismos, mas com seriedade quando necessário, assim ele se descreve.

Com quase 50 anos de jornalismo, Kfouri contou à plateia sobre os tempos de infância em Belo Horizonte, onde vivem suas tias por parte de mãe, e destacou a capital mineira, àquela época, com cheiro de café com leite.

Sem intimidades, mas com muita atenção e respeito aos que se dirigiam a ele, Juca falou sobre os tempos em que iniciou no jornalismo, e que até ser diretor de Placar, era conhecido como José Carlos [Amaral Kfouri].

Formado em Ciências Sociais, na USP, ele foi indicado por um amigo, para trabalhar no Departamento de documentação (Dedoc) da Editora Abril, que sabia da sua paixão por organizar arquivos particulares sobre o Corinthians e o Rei Pelé. Mas, para tanto, teve antes de pedir liberação no Exército, onde foi voluntário, mesmo depois de ser dispensado, por excesso de contigente.

Daí para a direção da Placar - onde desvendou a Máfia da Loteria Esportiva -; e da Playboy, em que tratou das negociações com as artistas, para ser capa, de modo 'profissa' - segundo avaliação de sua filha, Camila - foi um pulo.

Ao contrário do que muitos imaginam, Juca Kfouri não tem prazer em denunciar as mazelas da cartolagem. Ele preferia, mesmo, era falar da bola em jogo e, claro, com um toque de classe.

Toque este, como, por exemplo, o célebre Tostão, ídolo do nosso futebol nos anos 60 e 70, presidente da CBF.

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IMPRENSA

Sobre um comparativo da imprensa paulista com a mineira ele afirma que, em São Paulo, há mais liberdade que aqui, que em Goiás ou no Piauí, onde há, ainda, o Coronelismo, que determina o que e quando deve ser publicado. Quando não o obedece, o assunto é resolvido na bala, a base de ameaças.

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IRREVERÊNCIA

Todos estão concentrados, ouvindo um relato sobre as 10 histórias que Kfouri não citou em seu livro de memórias, Confesso que perdi, da Companhia das Letras.

Já perto de encerrar, o mediador comenta algo que indicava que a palestra estava para encerrar. Isso era 20h30. De repente, o palestrante olha com 'indignação' e dispara: "Deixa só contar mais um caso? Você está com pressa? Eu, não!" A plateia teve um ataque de riso e o aplaudiu com alegria!

Resultado: o evento acabou às 22h30.

Genial!


☆☆☆

VAR

A polêmica sobre a adoção do vídeo arbitragem (VAR) no Campeonato Brasileiro deste ano, também foi um dos assuntos tratados por Juca Kfouri, durante o Sempre um Papo.

Não sou muito a favor a ideia. Acredito que a partida pararia muito e jogos que já não são cinco estrelas, acabaria com uma ou duas.

Ele citou como exemplo o caso do vôlei, que, na dúvida, recorre às câmeras e a partida não perde em agilidade.

Exemplo bom, mas que não me convence totalmente. Acho que são aportes e situações diferentes, por isso não podem ser avaliados de uma única forma, algo definitivo.

Não quero dizer com isso que sou avesso à proposta, mas, deve haver uma fase de testes, de adaptação, para ver quando recorrer ao VAR, e em qual situação, para não virar um artifício que possa comprometer o tempo de jogo e a qualidade do mesmo.

☆☆☆

CORINTHIANS X PALMEIRAS

Durante toda a semana Juca Kfouri comentou que o Corinthians só entraria em crise se perdesse o clássico diante do Palmeiras.

Confesso que até torci para o Palmeiras, para tirar um sarro dele depois.

Mas, não deu muito certo!

O Corinthians venceu o Palmeiras, com gols de Rodriguinho e Clayson, num jogo em que Jaílson foi expulso ao cometer pênalti.

E aquele que já cansou de ameaçar cortar o braço, certamente festejou, mas sem chorar, como na conquista do Paulista de 77, com gol de Basílio, aquele que ele, Juca, queria ser.

☆☆☆

A OBRA



Confesso que perdi
Companhia das Letras
Juca Kfouri

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