sexta-feira, 27 de abril de 2018

Brasil: futebol de segundo escalão


Ouvi certa vez que a razão do técnico Tite não convocar jogadores que atuam no nosso futebol para a Seleção Brasileira é que possuímos uma qualidade abaixo da média, de segundo escalão.

Não vou entrar no mérito da questão do porque ou em qual situação isso foi dito, mas, convenhamos: ele tem razão!

Nos anos 70, 80 e 90, nossa realidade era outra: contávamos com craques formados na base, que tinham identidade com o clube e eram tratados verdadeiramente como patrimônios, a ponto de ser exigido que os atletas estudassem, tivessem um apego familiar e demonstrassem profissionalismo junto aos companheiros.

Naquela época, não haviam essa gama interminável de opções de redes sociais, paparazzis e a velocidade instantânea no tornar público um assunto qualquer.

Os interesses de hoje correspondem a ter um IPhone de última geração, que custa mais de R$ 10 mil e deixar de lado a cultura, o investir na família, no conhecimento.

Se você ainda não entendeu o porque disso tudo, explico: toda essa falta de compromisso e estrutura pessoal, profissional, influencia diretamente no desempenho dentro de campo.

O futebol jogado no Brasil é previsível e superado.

Para ganhar um jogo, o caminho é o de ter a posse de bola, pressionar até fazer o gol. Depois, fecha a casinha, com dois ou três volantes que descontroem o jogo, e segura o resultado até o final dos 90 minutos.

Não há mágica, segredo ou estratégia nisso.

Qualquer time mediano é capaz de realizar algo do tipo.

Agora, vamos à Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, para ver como é a coisa.

No Barcelona, por exemplo, não há concentração.

A comissão técnica determina o dia e horário do treinamento, os jogadores vão com seus carros e, ao final, retornam para suas casas, junto aos familiares.

Técnicos como Pep Guardiola, Antonio Conte, José Mourinho, Jürgen Klopp e Arsenè Wenger não esquentam banco de reserva durante os jogos.

Eles vibram, interagem, pesquisam, estudam táticas, posicionamentos e sabem impor, cobrar essas alternâncias em campo.

Se perdem a partida, passam as noites em claro e ficam remoendo sobre o que erraram.

A realidade do futebol brasileiro citada aqui é a mesma, desde os 7 a 1 da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, no Mineirão.

Nada mudou.

A administração realizada pela cartolagem é uma piada de mal gosto.

Tivemos denúncias e provas de fraude trazidas à luz, presidentes afastados e impedidos de viajar, mas, ao mesmo tempo, com seus apoiadores sendo eleitos e dando continuidade a tudo o que é combatido.

Na Itália foi revelado um esquema de corrupção. Hoje, em condições mais modestas, é trabalhada a reestruturação, para que ela volte a ser a potência que sempre foi.

Precisamos acordar, investir no que é nosso para entender e saber respeitar os demais.

Do jeito que está continuaremos como um país que joga e conhece futebol, e apenas isso!

Precisamos, e merecemos, ser mais ousados, com toques precisos, pra frente, na busca do gol, mas sem deixar de reconhecer a importância da zaga, dos laterais, volantes e meias.

Sem interação, nada acontece e tudo atrofia!

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