terça-feira, 17 de julho de 2018

Empresário F.C.

Dreamstime.com
Sempre que se fala na abertura de janela para negociações no futebol, há uma compreensível, mas nem sempre entendida, agitação no mundo da bola.

Várias especulações são feitas, com base nas listas de dispensas, no bom ou mau momento do jogador.

Há uma pressa, um desespero, tanto de empresários, como de clubes, para garantir a permanência ou venda de um determinado atleta, para alcançar cifras expressivas, nunca alcançadas antes.

Funciona, na verdade, como um dia na Bolsa de Valores.

Vi, anos atrás, uma reportagem sobre um singelo momento de negociações. Era um tal de "empresários" ao telefone, de olhos atentos nos painéis, com as cotações das principais bolsas de negócios do Mundo e das alterações no mercado. Loucura total! Uma informação passada agora era modificada em questões de segundo.

No futebol essa mudança nos valores não acontece de modo tão rápido, quase que estantâneo, uma vez que está diretamente relacionado ao desempenho do atleta ou de um clube, mas, no que diz respeito à movimentação feita nos bastidores, por dirigentes e empresários, isso, sim, é semelhante.

Dos anos 90 pra cá, as manchetes são quase sempre as mesmas: "Clube 'x' investe milhões na contratação de 'y', na maior transação já feita no futebol". Caiu, literalmente, na rotina.

Sou de um tempo em que o futebol brasileiro ainda investia na base e era um verdadeiro celeiro de jovens e renomadas promessas, que, mais à frente, seriam negociadas com o futebol europeu, na tentativa de divulgar ainda mais o nosso futebol.

Com o tempo, o investimento na base diminuiu, ao ponto de se aproximar da estaca zero. Um ou outro clube ainda se arrisca, mas não exibe suas principais estrelas com tamanha facilidade, com medo de perdê-las rapidamente.

Prova disto é que, hoje, antes dos jogos da Série A do Brasileiro não acontecem mais as partidas das categorias júniores, como sempre acontecia na década de 90.

As altas cifras, as promessas de sucesso e vida fácil no exterior atraem desde os mais jovens, até os mais experientes nomes do esporte bretão, que, preocupados em criar um pé de meia se deixam levar pela primeira proposta que recebem, sem conferir aquelas famosas e tão esquecidas letras pequenininhas, no fim do contrato.

Há empresários de boa índole, que se preocupam com a real necessidade do seu cliente, que se esforçam para garantir todas as comodidades e anseios, de modo que ele não fique desamparado e seja, assim, elaborado um plano de carreira.

Existem também, os espertalhões de plantão, que prometem mundos e fundos, mas, no final das contas, quem fica com a maior parte do bolo é o empresário, que vendeu o jogador por uma cifra milionária, sem lhe dar um mínimo de respaldo e, desta forma, ter de enfrentar as mais árduas das dificuldades em um outro país, com cultura e hábitos diferentes do nosso e longe da família.

Para que a negociação seja feita de modo coerente e vantajosa para ambos os lados, é necessário que o empresário, ao receber a proposta, analise e comunique ao interessado (atleta), para que este dê a resposta final do que é como deve ser feito, enquanto toda a parte burocrática é resolvida pelo agente.

Uma vez que o empresário tem noção que o ganho não está em uma réles negociação de cifras, seja em dólar, Euro ou Libras esterlinas, mas no como conduzir a carreira e investimentos do seu cliente, tudo muda e todos ganham!

Um comentário: