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Ao contrário do que normalmente faço, não vou, por hoje, falar sobre os jogos e destaques, mas, comentar sobre algo que chamou muito a minha atenção, e negativamente, diga-se.
Dias desses, ao me dirigir ao trabalho, recebi um desses jornais sindicais e fui imediatamente à parte de esportes.
Li que, nas duas últimas semanas, seis técnicos dos clubes que estão na série A do Brasileiro foram demitidos, o que resulta em uma média assustadora de 1 técnico na rua, a cada três rodadas.
O espanto que tive ao ler isso, não foi propriamente algo de estarrecer, mas incomodar.
Fico abismado que o considerado por muitos, futebol número um, não consiga administrar, estabelecer bons contratos, para os profissionais que são trazidos pelos clubes.
Nenhum dos seis técnicos saíram por ter vencido o contrato e não haver mais interesse de ambas as partes.
A grande maioria foi por pressão ocasionada pelos maus resultados, a escassez de títulos ou por não gerir egos inflamados.
A exceção à parte foi Abel Braga, que estava estafado, e não teve a chance de viver o luto do filho dele.
Em suma, não é raro visualizamos situações em que o treinador é anunciado a peso de ouro, por um período relativamente grande - em média 2 anos - e, quando já não mais interessa ou não cumpre com o esperado, entrega o boné e fica no aguardo de receber a astronômica multa contratual, que ele, profissional, tem direito, mas o clube demora a pagar, por ser mau administrado e apresentar como desculpa a crise que o País enfrenta.
É verdade que o Brasil vive uma eterna crise, não apenas financeira, mas também ideológica, entretanto, é fato que os principais clubes brasileiros convivem com dívidas que raramente são pagas e aumentam com o passar dos anos, ao investir em contratações inesperadas.
Falta inteligência administrativa, capaz de estabelecer prazos e valores que condizem à nossa realidade, de maneira a vivenciarmos um profissionalismo ainda desconhecido por aqui.
No que tange aos treinadores, é necessário maior humildade, busca por conhecimento e um compromisso - não apenas com os resultados, mas pelo trabalho, como um todo.
Dizer que eles não sabem, não conhecem as dificuldades que vão enfrentar, é mentira.
Pode haver diferença na estrutura de um clube para outro, na verba a ser usada para contratações, mas, como o problema começa é basicamente de igual modo: crise política, pressão da diretoria e da torcida uniformizada, batalha de egos entre os jogadores, entre outros.
O futebol brasileiro está longe de ser o número um no mundo, devido ao descaso que possui com seus profissionais e à vontade incontrolável de querer sempre mais.
Modelos a seguir, para que uma nova história seja escrita, temos de sobra!
Basta termos vontade de colocá-los em prática!

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