segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A velha e interminável questão sobre o calendário em pauta

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Ontem, no Independência, após a clássica goleada de 3 a 0 do Cruzeiro frente à Chapecoense, pela 30a. rodada do Campeonato Brasileiro, o técnico Mano Menezes comentou, não apenas sobre a partida, mas, também, das dificuldades que teve para realizar uma boa temporada até aqui.

O grande vilão da história, para variar, é o tão questionado calendário do nosso futebol, mantido pela CBF como um valioso tesouro, com o aval quase unânime dos clubes e o monopólio da TV que define os dias e horários dos jogos, de modo que não prejudique a grade de programação da emissora, sem se preocupar com o torcedor, que, nessa história toda, é o cliente final e o mais lesado em tudo.

Durante a coletiva, Mano Menezes estabeleceu um comparativo com o técnico Guillermo Schelotto, do Boca Júniors, que o enfrentou e tem praticamente o mesmo tempo sob o comando do clube.

"A diferença são 60 jogos", disse Mano ao citar que o argentino teve muito mais tempo para preparar sua equipe, diferentemente do Cruzeiro, que possuía intervalos muito curtos de uma partida para outra e era obrigado a fazer um rodízio entre os jogadores, para não haver o risco de desgaste muscular e, assim, uma contusão mais séria.

No que tange ao rendimento da equipe em campo, o treinador do Cruzeiro sentencia e questiona: "A preocupação é saber até quando o torcedor vai gostar de ver só 60%; até quando o telespectador vai gostar só de ver 60% dos nossos times. É o que a gente oferece".

A tão discutida adequação do calendário do nosso futebol ao europeu resolveria todas essas pendências, além de tornar o Campeonato Brasileiro mais atrativo, uma vez que haveria um equilíbrio no número de jogos, as equipes teriam mais tempo de preparo, de descanso e poderia contar em grande parte dos confrontos com força máxima.

Assim é feito na Argentina, de Racing Club, River Plate e Boca Júniors.

Esse aumento na qualidade resultatará em maior investimento em patrocínio dos campeonatos e, também, na procura de emissoras de TV internacionais, que, certamente, têm interesse em saber a quantas anda o futebol brasileiro, quem joga nele.

Basta saber, no entanto, se a CBF e os clubes continuarão a dizer amém à TV, que não apresenta um plano B para a programação esportiva, para não por em xeque o lucro conquistado, por exemplo, com o Carnaval.

Um comentário:

  1. Bem complicado essa questão! Adequação ao calendário seria ótimo, mas uma liga independente formada pelos clubes resolveria essa questão. Até quando ficarão refém de emissora de televisão?

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