quarta-feira, 27 de março de 2019

Alienados até quando?

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Quem, nos dias de hoje, ainda considera o futebol um esporte para alienados, algo fútil, não tem real conhecimento dos efeitos e importância que ele pode causar, não somente por aqui,  mas no mundo como um todo.

Trata-se indiscutivelmente de um produto valioso, negociado a peso de ouro, que, em muitas das vezes, serve como porta de entrada para a realização de um acordo comercial, político em sua essência, entre países e povos distintos.

O futebol é encarado como um esporte de massa, efetivamente rentável, com rivalidades declaradas, que incorpora os fatos e a cultura do dia a dia, de modo a evidenciar isso tudo num gigantesco espelho, em que o reflexo é visto e conhecido por todos, em ferramentas como as redes sociais.

O Santos, da Era Pelé, por exemplo, fez parar uma guerra, enquanto estava em excursão pela África. As decisões para escolher o país sede de uma Copa do Mundo, não fogem do jogo político, acordos diversos.

Lembra da Guerra Fria? Assistimos ao duelo de uma Alemanha dividida, com duas seleções separadas pelo Muro de Berlim - derrubado no final dos anos 80 - por uma vaga na Copa do Mundo e, também, na Euro.

Aqui no Brasil, muitos clubes foram fundados sob a influência de colonizadores e imigrantes. Os Palestras (Palmeiras e Cruzeiro), o Vasco da Gama, a Portuguesa, que o digam. São equipes que, de uma forma ou de outra, preservaram a cultura daqueles que dominaram e desbravaram as nossas terras, quando a população indígena era maioria.

O racismo e outras formas de preconceito foram alimentadas e espalhadas sem que houvesse um mecanismo de defesa para isso.

O maltratar o negro  era algo normal, resultado dos longos anos de convivência com a escravidão. Em alguns locais, essa situação ainda existe, e não apenas com negros, mas, também com brancos e pessoas de outras nacionalidades.

Muitos dos nossos jogadores, para "disfarçar" o tom de pele, passava pó de arroz no corpo, por isso, clubes como o Fluminense e o São Paulo são conhecidos deste modo.

Hoje em dia, em meio às cifras mais que vultuosas em Dólar, Euro e Libra Esterlina, o esporte bretão é apresentado e dividido em classes sociais, condições estruturais e financeira, resultante de um capitalismo selvagem em que o "endinheirado" compra tudo e trás quem quer e o mais humilde depende de uma ajuda caridosa de custos para trazer um ou outro reforço, mas por empréstimo.

São poucos os que sobrevivem ao mundo de hoje, tão imediatista e alienado - esse, sim - pela falta de leitura, de uma boa educação e expansão dos nossos valores culturais, entregues ao descaso ou consumidos pelo fogo do esquecimento, como aconteceu com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Uma pena!

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