segunda-feira, 17 de junho de 2019

As "surpresas" da Copa América no Brasil

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Dos seis jogos disputados até aqui, pela Copa América no Brasil, apenas dois chamaram minha atenção: o empate de 2 a 2 entre Paraguai e Qatar, no Maracanã, e a goleada do Uruguai diante do Equador, de 4 a 0, no Mineirão.

No Maracanã, o destaque foi o poder de reação da seleção do Qatar, que perdia de 2 a 0 para o Paraguai e chegou à igualdade com um futebol que, guardada as devidas proporções, lembrou seleções africanas, como as da Nigéria dos anos 90 e a de Senegal, do início do novo milênio, em que havia alegria e uma correria sem igual dentro das quatro linhas.

No Mineirão, o passeio uruguaio foi marcado pela vontade e excelente atuação de Édinson Cavani, que fez um dos gols e quase fez um golaço de calcanhar. Luis Suárez também esteve bem em campo. Ele praticamente puxava a marcação adversária e dava total liberdade para que o ataque celeste chegasse com facilidade à meta de Alexander Dominguez, que protagonizou alguns milagres.

No mais, no que tange às questões administrativas e organizacionais, a cada dia o torcedor comum é afastado mais e mais desses eventos. A começar pelo valor dos ingressos, que variam de R$60 a R$800. Com a crise econômica que o nosso País atravessa, não há como dispor de tal valor.

A Conmebol, responsável pela realização da Copa América, além de demonstrar um total desconhecimento dessa nossa realidade, questiona a quem quiser responder sobre a baixa média de público nos estádios brasileiros.

Parece, com o perdão da comparação, aquela popular e tão conhecida "piada pronta" nas colunas do genial José Simão.

E o que dizer das fan fests, no redor dos estádios? Aqui, em Belo Horizonte, quem quiser comprar cerveja, terá de desembolsar R$12. O refrigerante custa R$8. Esses valores, para ficar claro, correspondem aos copos de 300, 500mls, não são das garrafas. Um absurdo!

Por se tratar de um evento sul-americano, em que a maior parte dos países vivem suas crises, deveria haver um cuidado maior da Conmebol ao estipular os valores em questão. Enquanto isso não mudar e a nossa realidade continuar, a tendência é a de termos os estádios vazios, como estão, as fan fests às moscas e um turismo que beira o zero.

Quem sobrevive assim?

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