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Basta um time estar em crise e um novo treinador chegar para que a diretoria anuncie aos quatro ventos que o novato terá carta branca para fazer o que bem entender sob o comando do grupo.
Na prática, no entanto, sabemos que a realidade não é bem essa.
Li, tempos atrás, o livro "Minha bola, minha vida", da editora Gryphus, uma autobiografia do lendário e ex-jogador Nilton Santos, que defendeu o Borafogo e a Seleção Brasileira durante as décadas de 50 e 60.
Nele, Nilton Santos relata sobre um período em que foi tratar da sua renovação de contrato e entregou a tão aclamada "carta branca". Ele pegou uma folha de papel, assinou o nome dele na parte de baixo e a entregou aos dirigentes. O que fosse colocado nela, ele aceitaria e ponto final.
Os tempos, definitivamente, eram outros. Hoje, se alguém faz algo do tipo é taxado de louco e levado ao manicômio. A razão para isso é muito simples: não podemos e nem conseguimos acreditar nos dirigentes de futebol da atualidade.
Quando chega um novo técnico ou contratam um jogador, prometem mundos e fundos, títulos nacionais e internacionais, mas, no menor tropeço dado, entregam a cabeça do suposto culpado - que não são eles, obviamente - na bandeja.
Rogério Ceni chegou recentemente ao Cruzeiro e já enfrenta alguns problemas que não esperava ter tão cedo.
Jogadores fazem declarações polêmicas, criticam a escalação e o esquema de jogo mas, na hora de entrar em campo, não querem nada com nada.
Situação que causa desconforto ao técnico com parte do elenco e, em especial com a diretoria, que assiste a tudo de camarote e nada faz para corrigir.
Não pode!
Não há sentido ficar omisso num momento como este.
É chegada a hora de mostrar quem realmente manda no clube.
Quem se habilita?

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