domingo, 16 de junho de 2019

Saudade do cheiro da tinta e dos dedos borrados

Foto: Toque de classe
Domingo passado, em conversa com meu cunhado e amigo, Assis Eustáquio, pedi a ele que trouxesse pra mim, no final de semana seguinte, uma edição impressa da Folha de S.Paulo, jornal que sempre apreciei ler, quando ainda vivia com meus pais, mas, hoje, em Belo Horizonte, acompanho mais pela versão online, na internet.

Generoso que é, Assis me presenteou com duas edições do jornal: a de hoje, domingo, e a de sábado, dia 15, na qual é citada a morte do inesquecível Clóvis Rossi e vem com um último texto assinado por ele, na fabulosa página 2, que também já contou com os escritos de Eliane Cantanhêde, Carlos Heitor Cony, Ruy Castro, dentre outros nomes célebres do jornalismo brasileiro.

Fiquei emocionado, confesso, pois, pertenço a uma geração que lia o jornal impresso. A internet veio com o tempo, mas tínhamos aquela coisa de assinar revistas, comprar o jornal na banca e o espalhar pela casa, com os cadernos na mesa branca, que logo sujava, devido ao contato com a tinta, que não era tão fresca, mas borrava.

Lembro que, com o nascimento da internet, criada pelos norte-americanos como uma ferramenta de guerra, muito se discutiu quanto ao fim da versão impressa dos jornais, revistas e do rádio.

Folha de S.Paulo
O rádio, ao contrário, se modernizou e adequou às redes sociais, aos meios tecnológicos.

As tiragens de jornal, comparado ao que já foi um dia, hoje são mínimas. Quase inexistentes. 

Quando pedi ao meu amigo para comprar a FSP, foi por justamente sentir saudade dos tempos em que meu pai comprava a extinta "Folha da Tarde", que depois virou "Agora Sào Paulo", de segunda a sábado e, aos domingos, além da Folha de São Paulo, o Estadão.

Nos bons e áureos tempos, esses jornais realizavam promoções, investiam em encartes com fatos históricos, que eram repassados semanalmente àqueles que juntavam os cupons que eram recortados da capa do jornal e entregues ao jornaleiro, pessoa que era muito bem quista pelos moradores daquele bairro e região.

Hoje o mundo é mais rápido, dinâmico, imediatista. Não há mais aquela passividade de aguardar o dia seguinte para saber o que foi dito pelo presidente da República, saber o comentário do colunista preferido, os bastidores das novelas e os horóscopos.

Hoje podemos ter tudo isso na hora, sem espera.

E talvez por isso, tudo está muito chato!

Que saudade do meu jornal de papel, do cheiro da tinta e dos dedos borrados!

Obrigado, Assis!

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