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Com uma rotatividade pra lá de acelerada, em que todos têm acesso e podem noticiar os fatos nas inúmeras redes sociais, fica difícil, em muitas vezes, identificar o que é verdade ou mentira.
O bom nisso tudo é que as nossas experiências podem ser compartilhadas com o público que se interessa pelo tema que abordamos, seja pra adquirir conhecimento, criticar ou elogiar.
Os podcasts são, no momento, a grande febre na internet. Basta ter um wi-fi ou dados móveis, um fone de ouvido e pronto. Você pega o celular, liga o podcast, coloca o fone e é só aproveitar.
Hoje, na minha caminhada vespertina, ouvi o "Não é só futebol", com Clara Albuquerque e Marcelo Bechler, o único podcast no mundo com ouvintes, telespectadores e mentalizadores.
No episódio 23, que é o mais atual deles, os jornalistas descrevem todas as dificuldades e curiosidades que vivenciaram durante a cobertura dos jogos da Champions League, nesta rodada de estreia, realizada na terça e quarta-feira.
Para quem assiste ao jogo na tevê ou o acompanha no rádio, não imagina, por exemplo, que o trabalho em si começa muito cedo e termina muito tarde, não são todos os lugares que possuem internet com qualidade, local próximo para comer e que as entrevistas realizadas com os astros das partidas, exige um gigantesco jogo de cintura, para atender os interesses da emissora, do público brasileiro e que não seja algo tão óbvio, que já tenha sido questionado na coletiva.
Julgar o trabalho de um correspondente é a coisa mais fácil para o leigo, que desconhece os bastidores, as entrelinhas, que são definidas em off, seja por orientação da emissora ou do que o clube em questão se dispõe a informar.
Há um número determinado de perguntas a serem feitas - em média de duas a três - em que você tem de ser muito perspicaz no questionar, com um máximo de cuidado pra não dar mancada, não afugentar o entrevistado.
Quanto ao tempo, funciona ao melhor estilo capitalista: quem paga mais, tem mais tempo, tem um leque maior para entrevistados, ao ponto de desenvolver matérias especiais, exclusivas.
O grande segredo para a sobrevivência, o sucesso dos que "pagam menos" no que diz respeito à formulação de uma pergunta brilhante, para ter uma resposta ainda melhor é, como declara Marcelo Bechler "você só sabe se o melão é bom depois que você abre ele".
Ou seja: você tem de agradar o Brasil, a emissora e dar seu jeito de parecer simpático aos olhos do entrevistado, para que ele seja generoso, não acabe com a expectativa de modo certeiro e fale um 'algo a mais' sobre o tema.
Ser correspondente é magnífico pelos horizontes e lugares percorridos, os aprendizados absorvidos com povos e culturas diferentes, mas, ao mesmo tempo, um exercício diário de paciência, dedicação, carisma e humildade no trabalhar.
Ao Marcelo e à Clara - que já colaborou com meu antigo blog, com o envio de colunas - deixo meus desejos de sucesso e uma crítica: fiquei com fome ao ouvir o podcast.
Fui!
Vou jantar!

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