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Carta branca no futebol atual não existe, não há meios pra isso. É pura falácia, algo pra encher linguiça e mostrar ao torcedor uma confiança que não existe, ainda mais se os interesses daqueles que comandam correrem o risco de abalo.
Outra ideia errônea que tem ganho cada dia mais vazão é a de que o jogador de futebol é patrimônio do clube.
Mentira.
Fosse em tempos passados, em que o jogador tinha identidade com o clube, com a torcida, que se dedicava inteiramente e recusava propostas de outras agremiações, seja do Brasil ou do exterior, poderíamos acreditar nesta tese.
Pelé, no Santos, Marcos, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no São Paulo, são alguns poucos e bons exemplos de fidelidade, amor à camisa e ao clube.
Hoje, o patrimônio do clube é o torcedor, que acompanha a equipe celeste onde ela for e até se associa para ter um vínculo ainda maior.
Torcedor que é desrespeitado pelos mandatários, trajados de paletó e gravata, e nada sabem ou entendem da coisa chamado futebol.
Num curto prazo de um mês e meio, o Cruzeiro experimentou três estilos diferentes de treinadores, como se estivesse em um evento gastronômico de degustação, sem saber qual prato saborear ou repetir.
Com a crise política que enfrenta, com as polícias Civil e Federal às portas, o momento não é o de dar ouvidos aos jogadores e seus parças que ficam chateados por este ou aquele não ser escalado.
Jogador de futebol é funcionário do clube, sujeito à CLT, como todo e qualquer trabalhador. Deste modo, ele deve ser reconhecido, mas também cobrado por dirigentes e pela torcida.
Mano Menezes, que ficou no Cruzeiro por pouco mais se três anos, adotava uma linha de raciocínio voltada para obter o resultado e manter ele a todo custo.
Rogério Ceni, por sua vez, tinha uma visão mais ampla, que colocava o time à frente, com a valorização do toque de bola. Com ele, não tinha frescura: se não está a fim, não joga e ponto.
O recém-chegado Abel Braga, possui um estilo que é basicamente o meio termo do apresentado por Mano e Ceni, com o adendo de possuir uma forma de abordagem com o grupo que o faz ser visto como um "paizão".
O grande desafio da vez, a pergunta que não quer calar agora, é a seguinte: Abel Braga, taxado por mais experiente que Ceni, terá vida longa na Toca da Raposa?
Tomara que ele, com seu estilo paternal, saiba extrair o que aparentemente não existe mais em muitos dos jogadores que lá estão e não seja mais um a passar a mão na cabeça deles, que ganham muito bem, para o pouco futebol que exibem.

Pois é meu caro, os clubes ficaram reféns dos jogadores. Rogério Ceni foi vítima de um complô engedrado pelos medalhões do Cruzeiro que aliás são os jogadores que têm os maiores salários do clube. Abraços
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