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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Crônica sobre a forte chuva em BH

O Tempo
Desde quarta-feira, a Defesa Civil tem alertado a população de Belo Horizonte sobre uma das chuvas mais terríveis dos últimos tempos.

Rádios, tevês, jornais usavam de seus espaços e horários para anunciar possíveis consequências e recomendar alguns cuidados.

Na quinta, a chuva teve início no meio da tarde, sem muita força, praticamente discreta, apenas para molhar os sapatos e embaçar as lentes dos óculos.

O problema é que, apesar de fraca, ela não deu trégua, ao ponto de causar deslizamentos, enchentes e até desmoronamentos em locais isolados ou não.

As cidades de Ibirité, Sabará, por exemplo, sofreram com alguns desses desastres, com alguns mortos e feridos.

De quinta para sexta, foi dito que o prefeito de BH, Alexandre Kalil decretaria ponto facultativo, que as empresas liberariam seus funcionários mais cedo e o metrô pararia de funcionar ao meio dia.

Tudo falácia.

Na empresa que trabalho, a recomendação dada foi para que saíssemos mais cedo de casa e, se quiséssemos, levar uma peça de roupa na mala, para trocar, caso encarássemos uma chuva mais severa.

E assim foi.

Chuva, mesmo, não tomei nem para ir, nem para voltar.

O único cuidado que tive era o de evitar as famigeradas poças d'água, que inevitavelmente me perseguiam pelo caminho e se mostravam presentes para minha agonia.

No mais, com o passar das horas, fomos tomados por uma grande ansiedade, afinal, a Defesa Civil tinha até anunciado o horário da chuva mais bruta: às 16h.

Por volta das 14h30, os pontos de ônibus estavam razoavelmente cheios e as ruas com pouquíssimos carros em trânsito, situação absolutamente atípica e anormal para uma sexta-feira em Belo Horizonte.

Cheguei em casa perto das 16h, com um sol atrevido, em meio às nuvens, para frustrar a Defesa Civil e nos fazer sentir como numa pegadinha daquelas que o Silvio Santos exibia às noites de domingo.

Acompanhei o noticiário e fiquei chocado ao saber que um bebê de seis meses morreu soterrada, abraçado com a mãe.

Em BH, na região em que moro, a chuva chegou apenas às 19h30.

Aparentemente, não é tão furiosa como haviam anunciado.

Tomara que realmente não seja.

Na capital, o que se sabe é que o rio Arruda transbordou e a Lagoa da Pampulha, além de também transbordar, devolveu às duas margens todo o lixo que um dia foi jogado nela.

Como se vê, não faltam motivos para que o meio ambiente seja - como foi - o tema central do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Um comentário:


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