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sábado, 17 de março de 2018

Marielle e a sociedade alvejada pelo descaso


Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que este texto não é para exaltar ou condenar Marielle Franco, assassinada, nesta quarta-feira, junto ao motorista, no centro do Rio de Janeiro.

Ela foi alvejada, com 9 tiros.

Não vou entrar no mérito, quanto ao que ela defendia, com quem andava, se era ficha limpa ou não.

Falo, aqui, da Marielle cidadã, como eu e você, que lê este artigo.

Uma das coisas que fez com que essa barbárie ganhasse as páginas dos jornais, a internet, é que Marielle foi vereadora na antiga capital federal, eleita com pouco mais de 46 mil votos.

Crimes dessa estirpe, infelizmente, acontecem com razoável frequência, mas são poucos os que são efetivamente divulgados, por não envolver alguém famoso.

Entenda: não quero instituir o retorno do Notícias Populares, conhecido nos bastidores como "expreme sai sangue".

Quero é mais atenção e cuidado aos desfavorecidos, que não são midiáticos e precisam de auxílio para sobreviver nesta Pátria desigual por natureza.

Convivo com pessoas das mais diferentes classes sociais, com conhecimento variado e necessidades nem sempre atendidas.

Pessoas que levantam de madrugada, sem que haja um transporte adequado, um policiamento que o proteja e sem garantia alguma de que os seus filhos terão uma vaga na escola do Município ou do Estado, com material e lanche de qualidade.

Este é um tipo de assassinato que ocorre - com a ausência de pentes carregados de balas -, mas que alveja toda uma sociedade, com descaso e intolerância.

Às vezes, o você se dirigir a alguém desconhecido e cumprimentá-lo, fazer ele rir com um gesto que seja de atenção, transformará tudo o que está em trevas em luz!

Os impostos aumentam quase que diariamente, a burocracia cresce cada dia mais e a esperança de termos algo bom, barato e confiável, que possa nos trazer um mínimo de paz é cada vez menor.

Queremos escolas, empregos, segurança e lazer, com dignidade, com respeito e amor ao próximo!

Enquanto isso não acontece, as Marielles são alvejadas à bala; com descaso social, sem direito a nada!

As que são conhecidas, no entanto, ainda contam com um apoio popular, mas limitado, para que seja feita justiça - como se isso fosse possível, assim, tão fácil!

Essas passeatas, esses protestos, são organizados, na maioria das vezes, por sindicatos, partidos políticos ou outro tipo de força que queira tirar vantagem em algo.

No mais, as Marielles anônimas continuam a clamar no relento, na esperança de um dia serem ouvidas e não serem recebidas à bala!

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Intolerância FC


Há tempos que, para alguns desprovidos de capacidade intelectual, o futebol virou um estopim para o vandalismo, a baderna.

Deplorável!

Não sou a favor, nem contra, a pessoa de Andrés Sanchez, eleito ontem, pela segunda vez, presidente do Corinthians, mas, o vandalismo protagonizado por uma parte da torcida corinthiana, foi desprezível!

Que o Corinthians é um time nacionalmente grande, com uma das maiores torcidas, ninguém dúvida ou põe em xeque.

Exatamente por isso, deve ter postura de clube grande, também em momentos decisivos no que tange à sua administração como um todo.

Que o torcedor é passional, que se emociona e aborrece por um gol anulado, uma expulsão duvidosa, além de não ser segredo, é provado cientificamente, com o auxílio da psicologia.

Mas, quem ousa justificar a carnificina que ocorreu, em Goiânia, com o envolvimento de torcedores do Goiás com o Vila Nova?

Na avenida Anhanguera, uma das principais da capital goiana, houve uma troca de tiros entre esmeraldinos e colorados.

Ridículo, uma falta de respeito sem igual!

O futebol, hoje, graças aos brigões de plantão, deixou de ser algo para reunir amigos e família!

Enquanto existir comportamentos como estes, sem que os responsável sejam efetivamente punidos, continuaremos a habitar uma terra de ninguém!

No Uruguai, depois daquele episódio infâme promovido por alguns torcedores do Nacional, que imitaram um avião em queda, em plena Arena Condá, contra a Chapecoense, pela Libertadores, o clube se desculpou publicamente e, apesar de não citar os nomes, divulgou o número da credencial de sócio e os expulsou.

Aqui, quem tem peito pra tanto?

Não é segredo que muitos dos clubes brasileiros são submissos às organizadas, que mandam e desmandam como bem desejam!

Enquanto esse cenário não muda, você que é pai de família, paga seus impostos religiosamente em dia, não pode se dar ao luxo de ir ao estádio, acompanhar a equipe do coração, sem direito à liberdade de ir e vir e de escolha!

Falta de bom exemplo para solucionar essa questão não há!

Basta olhar para o modelo europeu, em que o torcedor é tratado como parte do negócio, do investimento, e não como gado!

Lá ele é sócio, tem lugar garantido, desconto na compra de produtos oficiais, ingressos para todos os jogos que quiser, além de estacionamento, atendimento médico e alimentação garantidos.

Aqui, é 'só um pouquinho' diferente...