
PERSIO PRESOTTO
O texto que segue foi publicado originalmente no Blog do Persio Presotto, dia 21/12/2009.
Quem já não ouviu ou sabe algo sobre o ilustre "anjo pornográfico"?
"Ilustre", que, neste caso, é um adjetivo usado para qualificá-lo, mas não pode ser encarado como "a mais eufórica das irresponsabilidades", pois, a pessoa merecedora de tal elogio, não é "um borra-botas" qualquer.
Trata-se de um pernambucano, nascido no dia 23 de agosto de 1912, que foi para o Rio de Janeiro aos 4 anos de idade, junto com seus pais e irmãos - 14 ao todo.
Um "menino que via o amor pelo buraco da fechadura" e que, aos 13, foi trabalhar como repórter policial do jornal A Manhã, de propriedade do pai, um ex-deputado federal e jornalista; garoto que lia pouco, mas relia muito cada um dos romances que tanto gostava, com o argumento de que "é preciso relê-los sempre e sempre, com obtusa pertinácia".
Era alguém definitivamente apaixonado por futebol, torcedor do Fluminense, "o único time Tricolor do mundo", uma vez que o "resto são só times de três cores" e que profetizou o nascimento do Fla-Flu "quarenta minutos antes do nada".
E por falar no clássico mais apaixonante dos cariocas, o profeta em questão - que enxergava além do óbvio - sentenciou: "no dia da inauguração do paraíso, houve um Fla-Flu de portões abertos, e escorria gente pelas paredes".
Ele não foi unânime, pois, "a unanimidade é burra".
Mas foi capaz o suficiente de reconhecer que "o jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade" e que ao nos mostrar "a vida como ela é", deixou claro que o "Brasil é muito impopular no Brasil", que "o brasileiro não está preparado para ser o 'maior do mundo' em coisa nenhuma", pois "ser o 'maior do mundo' em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade".
Ele foi um teatrólogo, um jornalista de mão cheia, que entendia a grande vaia como algo "mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose", pois "os admiradores corrompem".
Um sujeito que achava a idade "a mais tola das virtudes", e que só acreditava "nas pessoas que se ruborizam".
Um ser humano que informa: "chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia".
Notícia triste de ser dada, mesmo após 37 anos...
Nélson Rodrigues não foi gênio, mas foi incomparável...

Passa gerações e seu legado continua presente e constantemente citado....
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