Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que este texto não é para exaltar ou condenar Marielle Franco, assassinada, nesta quarta-feira, junto ao motorista, no centro do Rio de Janeiro.
Ela foi alvejada, com 9 tiros.
Não vou entrar no mérito, quanto ao que ela defendia, com quem andava, se era ficha limpa ou não.
Falo, aqui, da Marielle cidadã, como eu e você, que lê este artigo.
Uma das coisas que fez com que essa barbárie ganhasse as páginas dos jornais, a internet, é que Marielle foi vereadora na antiga capital federal, eleita com pouco mais de 46 mil votos.
Crimes dessa estirpe, infelizmente, acontecem com razoável frequência, mas são poucos os que são efetivamente divulgados, por não envolver alguém famoso.
Entenda: não quero instituir o retorno do Notícias Populares, conhecido nos bastidores como "expreme sai sangue".
Quero é mais atenção e cuidado aos desfavorecidos, que não são midiáticos e precisam de auxílio para sobreviver nesta Pátria desigual por natureza.
Convivo com pessoas das mais diferentes classes sociais, com conhecimento variado e necessidades nem sempre atendidas.
Pessoas que levantam de madrugada, sem que haja um transporte adequado, um policiamento que o proteja e sem garantia alguma de que os seus filhos terão uma vaga na escola do Município ou do Estado, com material e lanche de qualidade.
Este é um tipo de assassinato que ocorre - com a ausência de pentes carregados de balas -, mas que alveja toda uma sociedade, com descaso e intolerância.
Às vezes, o você se dirigir a alguém desconhecido e cumprimentá-lo, fazer ele rir com um gesto que seja de atenção, transformará tudo o que está em trevas em luz!
Os impostos aumentam quase que diariamente, a burocracia cresce cada dia mais e a esperança de termos algo bom, barato e confiável, que possa nos trazer um mínimo de paz é cada vez menor.
Queremos escolas, empregos, segurança e lazer, com dignidade, com respeito e amor ao próximo!
Enquanto isso não acontece, as Marielles são alvejadas à bala; com descaso social, sem direito a nada!
As que são conhecidas, no entanto, ainda contam com um apoio popular, mas limitado, para que seja feita justiça - como se isso fosse possível, assim, tão fácil!
Essas passeatas, esses protestos, são organizados, na maioria das vezes, por sindicatos, partidos políticos ou outro tipo de força que queira tirar vantagem em algo.
No mais, as Marielles anônimas continuam a clamar no relento, na esperança de um dia serem ouvidas e não serem recebidas à bala!

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