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É difícil para um paulista de descendência italiana, como eu, almoçar com a família reunida e não ter um bom jogo para assistir, como sobremesa, ainda mais em uma época tão especial como esta, de Copa do Mundo.
Os debates e discussões acaloradas começavam logo cedo, com meu pai, meus irmãos em São Paulo e, hoje em dia, com meu cunhado e a turma do trabalho.
Tem hora, por sinal, que me sinto em uma verdadeira mesa redonda, em que nada mais importa, a não ser os jogos do dia.
Para não perder a oportunidade e não deixar ninguém órfão sobre os assuntos da Copa do Mundo, na Rússia, convido o ilustre leitor destas linhas modestas e corajosas, a uma reflexão do que já aconteceu e está por vir.
Antes da Copa iniciar, houve uma grande expectativa quanto ao desempenho da Seleção da Alemanha, que chegava na condição de atual campeã, e de o que Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo poderiam fazer de extraordinário.
A Alemanha decepcionou, e muito, com um time mesclado, com nomes que ergueram a taça em 2014, no Brasil, e novos valores, que, juntos, não deram liga. Era um time nitidamente perdido, sem conjunto, que parecia nunca ter jogado antes.
Cristiano Ronaldo e Messi foram duas cerejas em dois bolos com recheio modesto e sem fermento, que despencou e esfarelou, sem que pudéssemos sentir o verdadeiro gosto dele.
Já Neymar, ao contrário, estava em um bolo bem feito, com recheio saboroso, mas com certo exagero no glacê.
Não faltava quem o servisse.
Ele jogou a Copa após uma operação no pé, há três meses, sem suas condições totais por isso e acabou muito criticado pela fama de cai-cai, inclusive pela imprensa europeia.
Há quem rotule Neymar como mimado, imaturo. Não quero e nem me interessa realizar tal julgamento.
A tecla na qual bato é que ele é muito mal assessorado, seja por amigos, "parças", gente que o rodeia a todo tempo.
Neymar é uma celebridade no futebol mundial, que iniciou muito cedo e ganha muito desde então, um profissional do futebol que atrai todos os olhares, seja pro bem ou pro mal.
Alguém, portanto, que deve ser blindado e se blindar também.
Quando ele jogava no Barcelona, cercado por Messi, Iniesta, Suárez, Neymar brilhava e colaborava para que outros brilhassem também.
No PSG ele foi anunciado como aquele que ia ser o chefão, o dono da bola e do campo.
Ele não consegue lidar com essa situação. É necessário ter quem o auxilie e oriente.
Gianluigi Buffon, ídolo da Azzurra e da Juventus, foi contratado pelo time francês.
Talvez seja esse o cara a aconselhar Neymar e a prepará-lo para uma próxima Copa, que será no Qatar, em novembro e dezembro de 2022, com 48 seleções.

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