segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Quando o ter a bola nos pés é essencial ao jogo?

GiveMeSport
Enquanto é propagada por muitos uma dose homeopática de euforia com o fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, opto por uma boa, e necessária, discussão sobre a qualidade do nosso futebol.

No artigo de ontem, comentei sobre a chamada Era Guardiola, que prima por um futebol com a bola nos pés e tem como objetivo maior o fazer o gol.

Trata-se de um futebol cauteloso, estudado, no qual a equipe que está com a posse de bola não tem pressa para se livrar dela e a faz rolar por todo o gramado, até ser envolvida pelos barbantes da rede.

Para melhor ilustrar esse assunto, colhi algumas informações, em jogos isolados, nos campeonatos nacionais do Brasil, Espanha e Itália.

Para começar, vamos para os representantes europeus.

Na partida de estreia de Cristiano Ronaldo, com a camisa da Juventus, fora de casa, diante do Chievo, a Vecchia Signora teve 72% de posse de bola, com 27 chutes a gol em 23 oportunidades criadas e um aproveitamento de 91% de passes, com um total de 617 feitos com correção.

O placar foi o de 3 a 2 para Juventus, que não viu CR7 fazer gol ou dar assistência, mas driblar, correr muito e sorrir, tamanha alegria que teve ao jogar.

Na Espanha, o Barcelona, de Lionel Messi, encarou o Alavés, no Camp Nou, com 79% de posse de bola, com 25 finalizações em 20 alternativas. O total de passes trocados pelo Barça foi de 788, com êxito de 90%.

Não à toa, os Blaugranas venceram por 3 a 0, com dois gols de Messi, que marcou também o gol de número 6000 do Campeonato Espanhol e chegou à incrivel marca de estar presente na lista de artilheiros pela 15a. vez, ao longo da história.

No Brasil, os números são um pouco diferentes, mas igualmente surpreendentes.

O pontapé inicial, aqui, é dado com um duelo entre Palmeiras, que tem um elenco dos sonhos, para muitos dos seus rivais, e o Paraná Clube, que segura a lanterna do Brasileirão.

A equipe palestrina venceu por 3 a 0, com 52% de posse de bola, 24 chutes a gol em 18 oportunidades; 390 passes e aproveitamento de 87%.

O diferencial foi o número de faltas: 20. Nos jogos do Barcelona e da Juventus, esse número não chega sequer aos 10.

De estarrecer, no entanto, são os números conquistados pelo líder São Paulo.

No clássico com o Santos, no Morumbi, o Tricolor teve 39% de posse de bola; chutou 14 vezes ao gol, em 12 criadas; trocou passes 257 vezes, com 75% de sucesso.

O placar? São Paulo 1 a 0.

Já no badalado duelo com o Flamengo, no Maracanã, o resultado também foi o de 1 a 0 para a equipe paulista, mas, com 29% de posse de bola, com 16 finalizações em 9; 160 passes e 70% de aproveitamento.

Não sei para você que lê este texto, mas, para este que o escreve, está mais que justificado o baixo nível técnico do Campeonato Brasileiro.

Basta vermos e compararmos a diferença na troca de passes, no número de faltas.

Está evidente que os times brasileiros jogam tão somente pelo resultado, sem explorar as dimensões do campo, a criatividade dos jogadores, o que resulta em um espetáculo caro para quem paga e pobre para quem o assiste.

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