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| Arte: Toque de classe |
O Brasil, de fato, é um país rico territorialmente, com minérios, vasta vegetação, uma mistura de povos que não há em nenhuma outra parte do globo, mas que vive, há tempos, a realidade do descaso e prevalência de interesses, que, quase sempre, não são os do povo.
Deixamos de ser reinado, império, para sermos República Federativa do Brasil, em que há um Rei do Futebol, negro, que é ovacionado por onde anda, mas sua raça não é respeitada.
A escravidão, assinada pela Princesa Isabel, filha de Pedro II, em 13 de maio de 1888, é algo que não vemos em verdade até os dias de hoje.
Muito tempo depois de assinada tal lei, muitos dos jogadores de futebol do fluminense, que eram negros, passavam pó de arroz no corpo, para esbranquiçar a pele.
Temos, ainda que em uma República, Pelé como Rei do futebol.
A descriminação existe até hoje e, infelizmente, não há data para acabar.
Em muitas cidades do Nordeste brasileiro, a escravidão ainda existe, e não apenas com negros.
Somos um povo em que a liberdade e o direito do próximo é respeitado - e muito discutido - a partir de cotas, filas e assentos separados para idosos, grávidas e deficientes, com Bolsa Família e outros benefícios, que ajudam os que não têm, não para que estes sejam inclusos, mas se tornem dependentes de um modelo de governo, que não investe na educação, na saúde, na segurança, mas perpetua a vida fácil, que somente pode ser mantida se essa gente se mantiver no poder.
Não sei para você, mas, verdadeiramente, é uma escravidão intelectual, sem perspectiva de evolução, de melhora, em que o pão é dado juntamente ao picadeiro do grande circo em que se tornou o Brasil.
Houve ditadura, Regime Militar, mas ele segue amarrado em muitos pontos do território nacional. Os Coronéis determinam tudo, cada passo, e a população diz amém, como acontece até hoje, em Cuba, quando Fidel Castro é citado.
O Rio de Janeiro foi a capital do Brasil por muitos anos. Não satisfeitos, criamos uma Brasília, de alto custo de vida e poucos lucros sociais adquiridos, na Região Centro-Oeste, com uma visão geral da corrupção, em que escândalos no painel do Senado, mensalões são revelados e poucos são punidos de fato. Há, sim, muitos acordos, queimas de arquivos e reuniões extraordinárias para definir impeachment e delações premiadas, com a segurança assegurada de quem revela o podre, mas, a do cidadão, que vive em meio à isso, está sempre em risco.
Somos um Brasil sem memória, em que museus são entregues ao fogo e consumidos de modo voraz, sem deixar resquícios. Fatos como o acontecido ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que nos fazem chorar de amargor pelo conteúdo histórico perdido, que não há como restaurar objetivamente, viram memes na internet.
Internet que foi criada pelos norte-americanos, como um recurso a ser utilizado pelos militares e, hoje, se tornou uma utilidade mundial, em que batalhas de egos são travadas, guerras são anunciadas e o pão é circo difundido.
Até quando, Brasil?
Os valores estão deturpados. Os que transgridem a Lei, desrespeitam os bons costumes e a cultura são vistos como incompreendidos, coitadinhos. Já os que suam para manter um mínimo de dignidade, são taxados por loucos, baderneiros.
Vivemos em uma democracia em que o mais forte vence todas e o mais fraco é varrido para debaixo do tapete.
O verde da Mata dá lugar ao vácuo na rocha; o amarelo do Ouro é entregue aos exploradores e o azul do céu é o que ainda nos resta, para clamar!
Que Jesus nos ajude!

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