quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Boca Júniors: o italiano da Argentina

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Quem me conhece sabe que sempre comparei o Boca Júniors, da Argentina, com a Seleção da Itália.

A razão de tal comparação é uma só: em uma competição mesclada, com fase de grupos e mata-mata, como acontece na Copa do Mundo e na Libertadores, ambos iniciam de modo melancólico, com um futebol pífio, sofredor, que sugere, de cara, a eliminação ainda na primeira fase.

A classificação, no entanto, ocorre na bacia das almas, preferencialmente na última e derradeira rodada da etapa de grupos.

Das Oitavas-de-Final em diante, a coisa muda de figura.

Tanto a Itália quanto o Boca se revestem de uma armadura e, com sangue nos olhos, superam todos os que se atrevem enfrentá-los.

Hoje, em La Bombonera, pela primeira semifinal da Libertadores, foi assim.

O Palmeiras foi à Argentina esperançoso em repetir o feito da fase de grupos, quando derrotou o time xeneize por 2 a 0 em solo argentino.

O Boca iniciou a partida com certo receio, com muitos erros de passes e poucas oportunidades de gol.

O Palmeiras, por sua vez, mostrou muita segurança, com um Gustavo Gómez e um Felipe Melo em noite inspirada, ao esbanjar tranquilidade e atuarem como uma muralha verde em campo.

O segundo tempo foi todo alviverde, até o momento em que os técnicos entraram em campo, de modo decisivo, ao realizarem mudanças em suas equipes.

Enquanto Felipão foi mais comedido, ao colocar o volante Thiago Santos no lugar do capitão Bruno Henrique, Guillermo Schelotto foi mais ousado e agressivo ao tirar Ábila e recorrer a Darío Benedetto.

Benedetto, que derrubou a muralha verde e venceu o bom goleiro Weverton, que, momentos antes de sofrer o primeiro gol, realizou uma portentosa defesa em cobrança de falta feita por Olaza, que mandou a bola com capricho no ângulo.

O placar de 2 a 0 ao Boca foi merecido, pela astúcia do técnico argentino, que soube mexer no momento exato e colocar alguém que decide e é matador em campo, mas, se for para analisar o conjunto da obra, não foi justo.

Como justiça é algo absolutamente discutível no futebol, o jeito é aguardar pela próxima quarta, quando o Palmeiras, no Allianz Parque, definirá - ou não - sua classificação à final da Libertadores.

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