domingo, 10 de fevereiro de 2019

A insuportável realidade de sempre!

André Durão / Globoesporte.com
Sempre que o desenrolar de uma grande tragédia vem à tona, ficamos atônitos com as declarações que são dadas, para uma possível elucidação dos fatos.

Não sabemos ao certo o que é mais trágico: o fato em si ou os dizeres para explicar o que, de fato, ocorreu.

Ontem à tarde, em coletiva, sem abertura de perguntas à imprensa, o CEO do Flamengo, Reinaldo Belotti, disparou: 

"Sobre multas, licenças, alvarás... isso não tem nada a ver com o acidente. Temos providências a tomar para o CT ser legalizado. Estamos trabalhando para isso Precisávamos de nove certificados. Já temos oito. Estamos trabalhando com os bombeiros".

A área em que os jovens de 14, 15 anos dormiam em conteineres, apenas para lembrar, era demarcada, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, para o uso de um estacionamento e estava para ser demolida.

Depois de um singelo e compreensivel momento de comoção mundial, com mensagens solidárias, voltadas aos familiares das vítimas, deparar com tentativas inúmeras de sair pela tangente é uma agressão irreparável à nossa inteligência.

No final do ano passado, um amigo querido estava com a mãe acamada, com necessidade de atendimento emergencial. Para agendar uma consulta no posto médico, a vaga disponível era para o mês seguinte - janeiro deste ano.

Desesperada pela demora, a esposa dele questionou a funcionária do posto se ela tinha pai e mãe. Ofendida, a moça ameaçou de processo.

No final do ano, poucos dias após o natal, a mãe do meu amigo morreu.

O processo não foi aberto, e nem será, pois, um dia após a morte, a esposa do meu amigo foi informar à funcionária do posto que não havia mais o porquê do agendamento, dadas as circunstâncias.

Resumo da ópera: tragédias, infelizmente, acontecem e quando menos esperamos. Podemos evitar algo? Depende. Há casos que são inevitáveis, outros, que uma perícia bem feita, a boa vontade no atender, pode mudar, e muito, o final da história.

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