sexta-feira, 21 de junho de 2019

O "Complexo de Rottweiler"

Superesportes
Sempre que o assunto em destaque era o desempenho da Seleção Brasileira nas quatro linhas, Clóvis Rossi trazia à tona o "complexo de Rottweiler".

Para o célebre colunista da Folha de S.Paulo, morto no dia 14 de junho, o Brasil era praticamente imbatível, ao ponto de "estraçalhar" qualquer adversário que aparecesse pela frente e, assim, rejeitar o "complexo de vira-lata", apresentado por Nélson Rodrigues.

É claro que o Rottweiler de Rossi era referente à Era Pelé, em que o escrete canário, de fato, atropelava tudo e todos em 1958, na Suécia; 62, no Chile; e em 70, no México.

Na década de 80, com uma geração formada por lendas como Zico, Sócrates, Paulo Roberto Falcão, em que as Copas de 82, na Espanha, e 86, novamente no México, não foram conquistadas, o Rottweiler ainda se impunha diante de suas vítimas.

Nos anos 90, com o início da Era Dunga, ainda que com a presença certeira de Romário, o Rottweiler passou a ser conhecido e não tão temido.

Com a chegada do novo milênio, além de uma imensa maioria já conhecer os segredos do Rottweiler, que não era mais absoluto, a Seleção Brasileira passou a escrever páginas preocupantes e inesperadas, desde uma eliminação na Copa América de 2001, para Honduras, até o estarrecedor 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão, durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Hoje, após uma eliminação aceitável na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, pelas circunstâncias em si, o Rottweiler se aproxima cada vez mais do vira-lata de Nelson Rodrigues, ao fazer um imenso barulho e bagunça, sem intimidar alguém.

Neste sábado, teremos o último jogo da fase de grupos da Copa América, entre Brasil e Peru, na Arena Corinthians, em São Paulo.

A campanha não é nada empolgante: venceu a Bolívia por 3 a 0 e ficou no 0 a 0 com a Venezuela. Em ambas as oportunidades houve vaias contra os comandados por Tite.

Não vejo, para o jogo contra o Peru, aquele olhar sanguinário, os dentes à mostra ou a agilidade no atacar a presa.

A Seleção Brasileira não põe medo em ninguém.

Tomara que o vira-lata tente ao menos roer o osso.

Do contrário, parecerá mais um poodle.

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