sábado, 22 de junho de 2019

Cebolinha: o Rottweiler brasileiro

Globoesporte.com
Publiquei ontem, neste Toque de classe, uma crônica sobre a Seleção Brasileira, destacando o desempenho em décadas, baseado no "complexo de Rottweiler", do inesquecível Clóvis Rossi.

No final, lancei uma singela provocação, ao por em xeque a atuação do escrete canário diante do Peru, pela atual edição da Copa América, disputada em solo pátrio.

Em que pese o início nada convincente na competição sul-americana de seleções, com uma vitória de 3 a 0 contra a Bolívia e um empate sem gols diante da Venezuela, a Seleção Brasileira esteve longe de fazer uma boa exibição em campo.

No jogo de hoje, na Arena Corinthians, foi a Seleção peruana quem começou melhor e deu as cartas.

A reação brasileira aconteceu a partir dos 12 minutos, com o gol de Casemiro.

Jogadas individuais foram feitas, assim como tabelas, lançamentos em profundidade. Foram dados chutes de média e longa distância, houve agilidade, criatividade, o Rottweiler enfim mostrou ter sangue nos olhos e astúcia para "estraçalhar" a presa.

Chegar aos 5 a 0, que poderiam ser 6, se Gabriel Jesus não desperdiçasse o pênalti já no final da partida, foi algo absolutamente tranquilo, sob a batuta de Éverton Cebolinha - o melhor jogador em campo -, que fez um gol e deu outro para William.

É claro, sei que estamos em um grupo indiscutivelmente fraco, ao lado de Bolívia, Venezuela e Peru, e, por isso, não há o porquê de grande empolgação com a goleada de 5 a 0.

Mas, ao mesmo tempo, não podemos deixar de reconhecer que era justamente isso o que queríamos: uma partida bem jogada, com vontade de buscar o gol e não se acovardar em táticas defensivas ao extremo, com complexo de vira-lata.

Não sei ainda quem será o adversário do Brasil na próxima fase, mas ficarei muito satisfeito - assim como acredito que você também - se a mentalidade demonstrada hoje perdure até a final ou até onde chegarmos.

Queremos isso: assistir a um bom e agradável jogo de futebol, independente de placar.

O Rottweiler acordou e, ao que tudo indica, dispensou o poodle.

Ufa!

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