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| Reuters |
Aos mais velhos, a eliminação na Copa de 86, no México, foi traumática. O Brasil saiu na frente, com um golaço de Careca, sofreu o empate e teve a chance do 2 a 1 em um pênalti cobrado por Zico, que ainda frio, por ter acabado de entrar em campo, viu o goleiro francês evitar a vitória brasileira.
Nos pênaltis, Sócrates e Júlio César desperdiçaram para a Seleção Brasileira e Michael Platini, para os franceses. Com o placar de 4 a 3, os europeus continuaram vivos no mundial.
Os mais moços, pero no mucho, assistiram à inédita final, em Paris, em 1998, quando Luciano do Valle anunciou com exclusividade, momentos antes da bola rolar, que Ronaldo não jogaria e Edmundo era o substituto.
No perfilar para o hino nacional, Ronaldo estava entre os titulares, e permaneceu, para o espanto de muitos, que, até aquele instante, não sabia ainda sobre a tal convulsão e a insistência de Ronaldo para jogar, mesmo com um diagnóstico contrário.
O pique de Cafú ao ver o choque do camisa 9 com o goleiro Fabian Barthez, ainda no primeiro tempo, dava a noção da gravidade.
Os 3 a 0, com uma atuação de gala de Zidane, para nós, foi um detalhe à parte. Os olhos e preocupações estavam voltados para Ronaldo.
Quanto aos mais garotos, o que ficou foi a eliminação, em 2010, na África do Sul, em que Thierry Henry liquidou a fatura, enquanto Roberto Carlos ajeitava a meia.
Hoje foi a vez do futebol feminino ter um capítulo registrado. Fomos, também eliminados, após um empate de 1 a 1 no tempo regulamentar e uma derrota na prorrogação, de 1 a 0.
Porém, ao contrário dos casos citados acima, não houve frustração, fatos inesperados, que causasse dúvida, desconforto.
Sabemos que não há, no Brasil, o mesmo investimento no futebol feminino e no masculino e, por isso, há um imenso abismo que os separa no que tange à estrutura e demais condições para a prática e aprimoramento das atletas.
Temos Marta, eleita por 6 vezes a melhor jogadora na avaliação da Fifa, que entrou para a história como a maior artilheira em Copas, com 17 gols, um a mais que o alemão Miroslav Klose, mas que atuou em clubes em que o futebol feminino é visto e tratado com seriedade.
Tivemos, ao longo da Copa, na França, problemas com jogadoras contundidas, sem um preparo físico adequado, mas com garra e disposição para vencer, tentar a classificação, com coragem, ousadia.
Não faltou empenho.
O cenário foi absolutamente outro: Zico está no Japão, Sócrates morreu, Platini está preso; Zidane e Henry são técnicos, Ronaldo dirigente e Roberto Carlos, até onde sei, está no mundo árabe.
Nosso olhar está direcionado para as mulheres, que merecem nossa defesa e apoio, por tudo o que representam e fazem, dentro e fora de campo, seja em Paris, no Brasil ou onde elas estiverem.
Que os nossos cartolas também abram os olhos, não apenas para lucrarem, mas para valorizarem o que é nosso e é de rara qualidade.
Quanto às francesas, que nos eliminaram com gol da capitã Amandine Henry, do Lyon, Hexacampeão da Liga dos Campeões da Europa: que venha os Estados Unidos, Tricampeão do Mundo!
Merci!


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