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domingo, 23 de junho de 2019

Uma nova página na história de Brasil e França

Reuters
Quando o assunto é o confronto entre Brasil e França, no futebol, e em Copa do Mundo, muitos fatos marcantes, para o bem e para o mal, veem à tona.

Aos mais velhos, a eliminação na Copa de 86, no México, foi traumática. O Brasil saiu na frente, com um golaço de Careca, sofreu o empate e teve a chance do 2 a 1 em um pênalti cobrado por Zico, que ainda frio, por ter acabado de entrar em campo, viu o goleiro francês evitar a vitória brasileira.

Nos pênaltis, Sócrates e Júlio César desperdiçaram para a Seleção Brasileira e Michael Platini, para os franceses. Com o placar de 4 a 3, os europeus continuaram vivos no mundial.

Os mais moços, pero no mucho, assistiram à inédita final, em Paris, em 1998, quando Luciano do Valle anunciou com exclusividade, momentos antes da bola rolar, que Ronaldo não jogaria e Edmundo era o substituto.

No perfilar para o hino nacional, Ronaldo estava entre os titulares, e permaneceu, para o espanto de muitos, que, até aquele instante, não sabia ainda sobre a tal convulsão e a insistência de Ronaldo para jogar, mesmo com um diagnóstico contrário.

O pique de Cafú ao ver o choque do camisa 9 com o goleiro Fabian Barthez, ainda no primeiro tempo, dava a noção da gravidade.

Os 3 a 0, com uma atuação de gala de Zidane, para nós, foi um detalhe à parte. Os olhos e preocupações estavam voltados para Ronaldo.

Quanto aos mais garotos, o que ficou foi a eliminação, em 2010, na África do Sul, em que Thierry Henry liquidou a fatura, enquanto Roberto Carlos ajeitava a meia.


Hoje foi a vez do futebol feminino ter um capítulo registrado. Fomos, também eliminados, após um empate de 1 a 1 no tempo regulamentar e uma derrota na prorrogação, de 1 a 0.

Porém, ao contrário dos casos citados acima, não houve frustração, fatos inesperados, que causasse dúvida, desconforto.

Sabemos que não há, no Brasil, o mesmo investimento no futebol feminino e no masculino e, por isso, há um imenso abismo que os separa no que tange à estrutura e demais condições para a prática e aprimoramento das atletas.

Temos Marta, eleita por 6 vezes a melhor jogadora na avaliação da Fifa, que entrou para a história como a maior artilheira em Copas, com 17 gols, um a mais que o alemão Miroslav Klose, mas que atuou em clubes em que o futebol feminino é visto e tratado com seriedade.

Tivemos, ao longo da Copa, na França, problemas com jogadoras contundidas, sem um preparo físico adequado, mas com garra e disposição para vencer, tentar a classificação, com coragem, ousadia.

Não faltou empenho.

O cenário foi absolutamente outro: Zico está no Japão, Sócrates morreu, Platini está preso; Zidane e Henry são técnicos, Ronaldo dirigente e Roberto Carlos, até onde sei, está no mundo árabe.

Nosso olhar está direcionado para as mulheres, que merecem nossa defesa e apoio, por tudo o que representam e fazem, dentro e fora de campo, seja em Paris, no Brasil ou onde elas estiverem.

Que os nossos cartolas também abram os olhos, não apenas para lucrarem, mas para valorizarem o que é nosso e é de rara qualidade.

Quanto às francesas, que nos eliminaram com gol da capitã Amandine Henry, do Lyon, Hexacampeão da Liga dos Campeões da Europa: que venha os Estados Unidos, Tricampeão do Mundo!

Merci!

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