quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A importância do gestor no futebol

Foto montagem
Desde a chamada Era Dunga, nos primórdios dos anos 90, o futebol brasileiro tem adotado um esquema de jogo em que o drible, a jogada trabalhada, são vistos como uma agressão ao adversário.

A tendência do momento é a de fechar a casinha, apostar no contra-ataque para chegar ao gol e, depois, garantir o resultado com uma acentuada posse de bola, prendendo-a na defesa e no meio-campo, sem chegar ao ataque, para novas finalizações.

Apostar no "resultadismo", portanto, tem sido o grande plano de ação dos técnicos brasileiros, que também agradou aos dirigentes, que se acomodaram com a situação e arrumaram um jeito de lucrar com isso.

Na contramão deste modelo burocrático em que apenas o resultado interessa, estão os gestores do esporte, que visam o sucesso de um trabalho, mas num olhar macro e detalhista.

Pep Guardiola, do Manchester City, e Jürgen Klopp, do Liverpool, são dois bons exemplos dessa metodologia que apresenta o treinador como parte integrante do todo e não simplesmente alguém que exibe vídeos dos rivais, para trabalhar o posicionamento em campo e cobra uma série de exercícios repetitivos ao longo de uma jornada, para que tenhamos especialistas robotizados nas quatro linhas.

Guardiola dá noções de marcação, de como se portar defensivamente, mas é taxativo ao deixar o jogador à vontade quando com a posse de bola, para atacar e criar as jogadas, no absoluto uso da habilidade, para envolver o adversário e finalizar a gol.

Klopp também não restringe a ação de seus atletas em campo e, como um grande pai, explora o melhor de cada um deles, ao exercer uma proximidade que beira a intimidade.

Dos 11 titulares do Liverpool na última temporada, que resultou na conquista da Liga dos Campeões, o treinador alemão tratou diretamente da contratação de 9 jogadores, ao realizar uma espécie de entrevista de emprego, para verificar se o interessado em vestir a camisa vermelha do Liverpool estava, de fato, focado nos mesmos objetivos que ele traçou e propôs ao clube.

Ainda sobre os dois, são raros exemplos de estudiosos, que cuidam da alimentação e até do período de sono dos jogadores, para que tenham um bom desempenho durante os 90 minutos.

No vôlei, José Roberto Guimarães e Bernardinho são daqueles treinadores que interferem em tudo para o bem do trabalho e conforto da equipe, ao longo de incansáveis meses de preparo e competições.

Esse envolvimento, no vôlei, no futebol, na vida, é o que garante o bom resultado, o título almejado. Os atletas estreitam laços de confiança, afeto e respeito com seus comandados, que tomam as rédeas do grupo sem precisar usar de autoritarismo.

Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari são excelentes treinadores, contaminados pelo "resultadismo", no qual o sucesso do grupo em um projeto não é essencialmente fruto da união de uma equipe em prol do resultado, mas o resultado por si só, custe o que custar, até não haver mais o que fazer a respeito.

Nessas horas, em que a relação entre clube, atletas e comissão técnica ficam insustentáveis, são chamados os aparadores de incêndio", modalidade a qual estão inseridos nomes como Dorival Júnior, Roger Machado, Levir Culpi, que transformam a terra arrasada em um campo frutífero, mas não o suficiente para garantir colheitas fartas e de qualidade.

Para que os títulos sejam alcançados, Felipão e Mano são os nomes.

Percebeu?

Enquanto no vôlei e no futebol inglês há um investimento completo para o trabalho e bom relacionamento entre jogadores e comissão técnica, quiçá, diretoria, no Brasil, a realidade é como o filme do Rei Leão: um ciclo sem fim - e também sem resultado efetivo.

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