VALTER BERNAT
Esta Copa, para mim já começou errada. Elevar a quantidade
de seleções para 32 é absurda. Obriga a um trabalho enorme de logística, mas
talvez seja exatamente isso que a Fifa e seus patrocinadores querem. Dentre os
patrocinadores, estão, evidentemente, companhias de aviação que ganharão muitos
Euros com os deslocamentos.
Continuo achando um absurdo o critério de distribuição das
vagas por continentes adotada pela Dona Fifa:
Convenhamos que, a Europa tem as melhores seleções do mundo e tem somente 13 vagas
diretas. Se contarmos de cabeça, sem pensar muito, encontraremos quase 20
seleções de peso neste continente.
Acho um absurdo uma Itália ficar de fora.
Ok, não vinha jogando nada, mas tem camisa, tem tradição e é 4 vezes campeã
mundial. A Holanda, com seu vistoso uniforme e futebol que encantou o mundo, 3
vezes vice-campeã mundial. A Bulgária, a Hungria e várias outras seleções de
tradição ficam de fora por este critério.
Bem, vou dar o meu critério, que certamente melhoraria o
nível de qualquer Copa.
Os campeões mundiais teriam vaga garantida;
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Os vice-campeões, se não se classificassem nas
eliminatórias, disputariam entre si pelo menos duas vagas, não importando o
continente;
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Usar este ranking maluco e sem lógica da Fifa
para definir os cabeças de chave é de uma burrice atroz, os cabeças têm que ser
escolhidos dentre os campeões mundiais e o país-sede, este sim com vaga certa
como cabeça de chave. Os campeões mundiais poderiam até sofrer um sorteio para
definir quem seriam os cabeças. Afinal temos somente 8 campeões mundiais:
Brasil (5), Itália (4), Alemanha (4), Argentina (2), Uruguai (2), Inglaterra
(1), França (1) e Espanha (1). Pronto, aí já teríamos hoje 8 chaves e haveria
um sorteio entre Inglaterra, França e Espanha, que só têm um título, para permitir
que o país-sede encabeçasse uma das chaves. Mesmo critério para os vices.
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Dos 8 campeões mundiais, temos 5 seleções
europeias, isso abriria mais 5 vagas para outras seleções daquele continente,
logicamente, o mesmo se faria com a Conmebol que tem 3 seleções. Quatro vagas para a Ásia, com seleções como Irã,
Arábia, Israel e, absurdamente, a Austrália, asiática no critério da Fifa que
assim permitiu que a Nova Zelândia jogasse sempre a repescagem. Cinco vagas para a África? Nigéria já provou que
joga bem em Copa. A Tunísia idem, mas e os demais? Jogam nada, só tomam vagas
que seriam melhor distribuídas.
Bem, chega de reclamar. Vamos falar agora do Brasil na Copa.
Não gostei de não ter caído no grupo B. Seria o ideal na
minha opinião, pois enfrentaríamos nas oitavas o grupo A que, tendo a Rússia
como cabeça de chave, no máximo teria uma outra seleção forte, fugindo assim de
enfrentar Argentina, Alemanha, Espanha e outros bichos-papões em fases
preliminares, mas aí é sorteio e temos que aceitar.
Não concordo com a avaliação do Tite, mas acho que ele está
no papel dele, apresentar os nossos adversários como seleções perigosas...
Suíça (ferrolho), Costa Rica e Sérvia, fazem medo a alguém hoje?
“pelamordedeus”...
Vamos jogar o último jogo de olho no grupo da Alemanha. Se esta
estiver em primeiro, teremos que sair como primeiros do grupo também, pois
assim só a enfrentaremos numa semifinal ou final. Mas alguém, em sã consciência
acha que o Brasil não vai se classificar em primeiro num grupo como este? Ontem
eu vi jornalistas no Sportv fazendo contas de empatarmos com a Suíça e
ganharmos os outros dois jogos... é brincadeira.
Quanto ao número de sedes, 12, igual à do Brasil, acho muito
grande. Temos 8 grupos, porque não 8 cidades? Torna a despesa enorme e obriga a
deslocamentos enormes. Esqueceram do tamanho da Rússia?
Enfim, apenas como palpite, acho que classificarão, nesta
ordem:
No Grupo A: Rússia e Uruguai
No Grupo B: Portugal e Espanha
No Grupo C: França e Dinamarca, embora ache que o Peru pode
surpreender.
No Grupo D: Argentina e Croácia, tendo a Nigéria nos
calcanhares
No Grupo E: Brasil e Suíça
No Grupo F: Alemanha e Suécia
No Grupo G: Inglaterra e Bélgica
No Grupo H: Colômbia e Japão
Estas são as minhas impressões e palpites para a Copa da
Rússia, torcendo para que os horários me permitam assistir a todos os jogos,
como eu gosto de fazer em Copas.
Valter
Bernat, advogado, analista de sistemas, professor universitário e editor do site
O Boletim.