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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Em meio à pizza, um toque de classe com Assis


Ontem à tarde tive um almoço daqueles que não deveria ter hora para terminar. Não simplesmente pela comida, que estava muito boa, mas, principalmente, pela companhia de Assis Eustáquio, jornalista, professor e historiador mineiro. Um banquete de sabedoria e cultura, amante do bom futebol.

Na hora de pedir a pizza, houve consenso. Ele pediu portuguesa e eu pepperoni. Logo, na primeira rodada de assuntos, não podíamos deixar de falar sobre Luiz Felipe Scolari, a Seleção de Portugal, Cristiano Ronaldo e, por tabela, a 'provocação' de Renato Gaúcho com o craque merengue e ídolo lusitano.

No fatiar a pizza de pepperoni, lamentávamos o mau momento do futebol italiano, tanto no Calccio, como com a Azzurra de astros da bola como Walter Zenga, Pagliuca e Buffon, além de Pippo Inzaghi, Del Piero, entre outros.

Relembramos, e com saudade, de gênios da crônica, casos de Nelson Rodrigues, Luis Fernando Veríssimo, João Saldanha e Armando Nogueira. Citei o emblemático Cartão Verde, com Flávio Prado, Juca Kfouri e José Trajano e apenas pensei nas tabelinhas do UOL, de Juca e Vitor Birner - amigo pelo qual tenho muito carinho e é um provocador nato. O tipo do sujeito que te obriga a raciocinar em perguntas simples, mas, desafiadoras, quando feitas por ele.

Antes de citar o solo pátrio e suas conquistas inúmeras nos gramados, algumas vitórias no Senado Federal com Romário e frustrações originadas pela cartolagem que não pode sequer viajar, para evitar o vexame de ser presa, pedimos licença para reverenciar o futebol inglês, mais precisamente o Manchester City, de Pep Guardiola, indiscutivelmente, o melhor técnico de futebol em atividade no planeta bola.

No que diz respeito ao futebol brazuca, comentamos a negociação entre Atlético-MG e Santos, que envolvia o atacante Ricardo Oliveira, antes anunciado pelo novo presidente santista, José Carlos Peres, como prioridade de renovação. Ao chegar em casa, vi que foi concluída a transação e que o que era prioridade, agora era saudade.

Enfim, foi uma mesa redonda em que até a comida era redonda, de modo que a conversa rolou vagarosa, sem pressa de acabar, como numa belíssima e empolgante partida de futebol.

Muito obrigado, Assis!

Foi magnífico!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Os 37 anos do adeus ao "anjo pornográfico"



PERSIO PRESOTTO


O texto que segue foi publicado originalmente no Blog do Persio Presotto, dia 21/12/2009.



Quem já não ouviu ou sabe algo sobre o ilustre "anjo pornográfico"?

"Ilustre", que, neste caso, é um adjetivo usado para qualificá-lo, mas não pode ser encarado como "a mais eufórica das irresponsabilidades", pois, a pessoa merecedora de tal elogio, não é "um borra-botas" qualquer.

Trata-se de um pernambucano, nascido no dia 23 de agosto de 1912, que foi para o Rio de Janeiro aos 4 anos de idade, junto com seus pais e irmãos - 14 ao todo.

Um "menino que via o amor pelo buraco da fechadura" e que, aos 13, foi trabalhar como repórter policial do jornal A Manhã, de propriedade do pai, um ex-deputado federal e jornalista; garoto que lia pouco, mas relia muito cada um dos romances que tanto gostava, com o argumento de que "é preciso relê-los sempre e sempre, com obtusa pertinácia".

Era alguém definitivamente apaixonado por futebol, torcedor do Fluminense, "o único time Tricolor do mundo", uma vez que o "resto são só times de três cores" e que profetizou o nascimento do Fla-Flu "quarenta minutos antes do nada".

E por falar no clássico mais apaixonante dos cariocas, o profeta em questão - que enxergava além do óbvio - sentenciou: "no dia da inauguração do paraíso, houve um Fla-Flu de portões abertos, e escorria gente pelas paredes".

Ele não foi unânime, pois, "a unanimidade é burra".

Mas foi capaz o suficiente de reconhecer que "o jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade" e que ao nos mostrar "a vida como ela é", deixou claro que o "Brasil é muito impopular no Brasil", que "o brasileiro não está preparado para ser o 'maior do mundo' em coisa nenhuma", pois "ser o 'maior do mundo' em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade".

Ele foi um teatrólogo, um jornalista de mão cheia, que entendia a grande vaia como algo "mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose", pois "os admiradores corrompem".

Um sujeito que achava a idade "a mais tola das virtudes", e que só acreditava "nas pessoas que se ruborizam".

Um ser humano que informa: "chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia".

Notícia triste de ser dada, mesmo após 37 anos...

Nélson Rodrigues não foi gênio, mas foi incomparável...