Arsenè Wenger e o São Paulo são dois "personagens" sem qualquer relação direta, mas com alguns fatos semelhantes.
Wenger foi um revolucionário no futebol inglês, em especial no Arsenal, clube que honrou por 22 anos como técnico, e comandou gerações vitoriosas, como a que faturou a Premier League de 2003/04, de forma invicta, com astros do porte de Jens Lehmann, Campbell, Ashley Cole, Patrick Vieira, Robert Pirès, Dennis Bergkamp, Thierry Henry, além dos brasileiros Gilberto Silva e Edu Gaspar.
O Tricolor, por sua vez, nos anos 90, era visto como um exemplo em gestão e conquistou muitos títulos, com um time que era base da Seleção Brasileira, formado por Zetti, Vitor, Válber, Ronaldão, Ronaldo Luis; Pintado, Raí, Toninho Cerezzo, Cafú; Müller e Palinha. O técnico era Telê Santana.
Wenger conseguiu estender o auge do sucesso dessa conquista inédita por anos, ao ponto de servir como referência até aos principais concorrentes, casos de Manchester United, City, Liverpool, Tottenham e Chelsea.
O mesmo ocorreu com o São Paulo. Todos queriam saber o grande segredo para se administrar um clube e, ao mesmo tempo, ganhar tudo o que disputava.
Este sucesso, no entanto, está estagnado desde 2008, quando a equipe foi Tricampeã do Campeonato Brasileiro, na Era Muricy Ramalho.
Wenger não está há tanto tempo sem conquistar um título com os Gunners, porém esse relacionamento duradouro e maduro, desde 1996, causa um desgaste, o que é natural.
No Morumbi, o jejum é incômodo. O clube deixou de ser referência administrativa e, para fugir de novos fracassos, remodelou a diretoria: trouxe Raí para ser o Executivo de Futebol, Ricardo Rocha e Diego Lugano para seus auxiliares diretos.
Dorival Junior, contratado na gestão anterior, caiu. Para o lugar dele foi contratado o uruguaio Diego Aguirre, indicado por Lugano.
Jogadores foram contratados a peso de ouro: casos de Diego Souza (Sport), Nenê (Vasco), o goleiro Jean (Bahia) e recentemente Éverton (Flamengo).
Destes, o que tem sido melhor aproveitado é Nenê.
Diego Souza, esquecido por Dorival e cogitado de modo eventual por Aguirre, pode ser emprestado ao Vasco, o que tem causado alguns questionamentos sobre o trabalho da nova diretoria.
O francês Arsenè Wenger, mesmo com o desgaste no relacionamento, é reverenciado pela torcida do Arsenal, que o respeita muito, e também pelos rivais, que destacam sua importância ao futebol inglês e à Premier League.
O São Paulo tem a missão de resgatar esse respeito, conquistado nas Eras Telê e Muricy. Tem condições e estrutura para isso. Até aqui, não surtiu o efeito esperado e o Tricolor caminha a um jejum que, tomara, não se iguale ao do Corinthians, que ficou 23 anos sem erguer uma taça e foi encerrado em 1977, com o gol de Basílio e o Campeonato Paulista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário